Outubro nos convida a recordar que todo batizado é chamado a ser discípulo missionário. A missão não é tarefa reservada apenas aos sacerdotes, religiosos ou pessoas que deixam sua terra para anunciar o Evangelho. Ela começa em nosso próprio coração e se manifesta nas escolhas, nas palavras, nos gestos e na maneira como vivemos a fé no dia a dia.
Jesus nos envia: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). Esse chamado permanece atual e nos lembra que a fé recebida não pode ficar guardada. Quem se encontra verdadeiramente com Cristo deseja testemunhá-Lo.
Mas onde somos fortalecidos para essa missão? Na oração, na Palavra e, de modo especial, na Eucaristia. A Santa Missa é o centro da vida cristã, porque nela fazemos memória da paixão, morte e ressurreição de Jesus e recebemos o próprio Cristo na Comunhão. Não vamos à Missa apenas para cumprir uma obrigação: vamos para nos encontrar com Aquele que nos ama, nos transforma e nos envia.
Muitas vezes, porém, podemos cair na rotina e deixar de perceber a riqueza de cada momento da celebração. Os Ritos Iniciais nos reúnem como comunidade; na Liturgia da Palavra, Deus fala conosco; na Liturgia Eucarística, participamos do mistério da entrega de Cristo, e, ao final, somos enviados para continuar essa missão fora da igreja.
Até mesmo nosso corpo participa da oração. Quando ficamos de pé, manifestamos respeito e disponibilidade; sentados, acolhemos a Palavra e meditamos; ajoelhados, expressamos adoração e humildade. O silêncio nos ajuda a escutar Deus, enquanto os gestos de reverência nos recordam que estamos diante de uma realidade que ultrapassa aquilo que os olhos podem ver.
Por isso, a Missa não termina quando recebemos a bênção final. Pelo contrário, ali começa uma nova etapa. A própria palavra “Missa” está relacionada ao envio, à missão. Depois de celebrarmos, somos chamados a levar Cristo conosco para nossas casas, nossas famílias, nossos ambientes de trabalho e para todos os lugares onde estivermos.
E outubro nos recorda também que essa missão precisa ser sustentada pela oração. Neste mês dedicado às missões e, tradicionalmente, ao Santo Rosário, aprendemos com Maria a guardar a Palavra no coração e a colocá-la em prática. Nossa Senhora, que sempre apontou para Jesus, ensina-nos que evangelizar também é servir, acolher, escutar e amar.
Ser missionário não significa necessariamente ir para longe. Às vezes, a nossa primeira missão está bem perto: dentro de casa, na reconciliação com alguém, em uma palavra de esperança para quem sofre, no perdão que oferecemos, na solidariedade com quem precisa ou na coragem de defender aquilo que é justo e verdadeiro.
Que, neste mês missionário, possamos compreender que cada celebração da Eucaristia é também um envio. Alimentados pela Palavra e pelo Corpo de Cristo, somos chamados a transformar em atitudes aquilo que celebramos.
Que nossa vida seja uma extensão do altar: um lugar onde Deus se manifesta pelo amor, pelo serviço, pela fraternidade e pela doação. E que, guiados por Maria, sejamos verdadeiramente discípulos missionários, levando a luz de Cristo a todos aqueles que encontrarmos.
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