O mês de maio ocupa um lugar especial na vida da Igreja e na devoção popular. Tradicionalmente, é reconhecido como o mês de Maria, tempo em que os fiéis intensificam sua oração mariana, especialmente através do Rosário, e rendem homenagens à Mãe de Deus, modelo de fé e entrega. Ao mesmo tempo, maio é também o mês das mães, ocasião em que celebramos aquelas que, à semelhança de Maria, acolhem a vida, cuidam e se doam com amor silencioso e perseverante.
Mas, esse ano maio também é marcado pela celebração da Ascensão do Senhor
“Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado ao céu. Eles, então, o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria” (Lc 24,51-52).
A Ascensão de Jesus não é uma despedida, mas a plenitude da sua missão. Ele sobe ao Pai levando consigo nossa humanidade, abrindo para nós o caminho da vida eterna. Ao mesmo tempo, confia aos discípulos (a todos nós), a missão de anunciar o Evangelho “até os confins da terra” (At 1,8).
A cena é marcante: os discípulos olham para o céu, mas logo são chamados a olhar para a terra, para o mundo real, onde devem testemunhar a Boa Nova. A Ascensão nos recorda que comunicar a fé é parte essencial da missão da Igreja.
Não por acaso, a Igreja em sua sabedoria guiada pelo Espírito Santo, escolheu o domingo da Ascensão para celebrar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, instituído pelo Concílio Vaticano II. A lógica é clara: assim como os discípulos foram enviados a anunciar, também nós somos chamados a usar os meios de comunicação para irradiar Cristo vivo.
“Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
A comunicação é ponte entre pessoas, culturas e gerações. É missão, é serviço, é testemunho.
No mundo atual, marcado por redes sociais, inteligência artificial e algoritmos, a Igreja insiste que comunicar não é apenas transmitir dados, mas preservar a dignidade humana, por isso o Tema escolhido para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais 2026: “Preservar vozes e rostos humanos”.
Vivemos em uma era de avanços tecnológicos sem precedentes. O mundo digital nos oferece ferramentas incríveis, mas também nos apresenta um risco silencioso: o de perdermos o que nos torna únicos. Como nos adverte o Papa Leão XIV, em meio a tantas vozes sintéticas e rostos gerados por máquinas, a Igreja é chamada a ser a guardiã do encontro real.
Jesus, ao subir aos céus, confiou a Missão a pessoas de carne e osso. Ele não enviou conceitos abstratos, Ele enviou vozes que tremiam de emoção, que tinham sentimentos e rostos que manifestavam a alegria do Ressuscitado. A Ascensão nos ensina que a comunicação cristã nunca será apenas técnica; ela é, acima de tudo, a transmissão de uma vida através de uma presença humana.
O rosto e a voz são sinais únicos da identidade de cada pessoa. Preservá-los significa não reduzir o ser humano a dados ou figuras sem alma.
Preservar vozes e rostos humanos significa lutar para que a tecnologia nunca substitua o calor do abraço, a verdade do olhar e a singularidade da alma de cada filho de Deus.
Preservar a Voz: Que a nossa comunicação não seja o eco frio de mensagens prontas, mas a voz que consola, que denuncia a injustiça e que anuncia a misericórdia com a ternura que só o coração humano possui.
Preservar o Rosto: Que nas nossas redes sociais e nas nossas pastorais, o rosto do irmão sofredor, do idoso e do jovem não seja ocultado por filtros ou indiferença. Devemos ver Cristo no rosto de cada pessoa que encontramos.
Jesus, o Verbo feito carne (Jo 1,14), comunicou o amor de Deus com sua voz e seu rosto humano. Ele olhou nos olhos, chamou pelo nome, tocou os corações, façamos o mesmo.
A todas as mães, meu fraterno abraço. Deus as abençoe!
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