O mês de novembro abre-se diante de nós com uma luz especial. Logo nos primeiros dias, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis Defuntos, convidando-nos a elevar os olhos para a nossa verdadeira pátria: o Céu.
Diante da saudade dos que partiram e da realidade da morte, a fé cristã nos oferece uma das verdades mais consoladoras do Credo: “Creio na Comunhão dos Santos.” Novembro nos recorda que nunca caminhamos sozinhos. A morte não tem a palavra final, pois a Igreja de Cristo ultrapassa as fronteiras do tempo e da própria morte.
A Comunhão dos Santos manifesta-se em três estados da mesma Igreja:
– Igreja Triunfante: os santos que já contemplam Deus e intercedem por nós;
– Igreja Padecente: as almas do Purgatório, que aguardam a plenitude da visão de Deus e contam com nossas orações;
– Igreja Peregrina: todos nós que seguimos caminhando neste mundo rumo à vida.
Nós pertencemos à Igreja Peregrina, povo de Deus a caminho. Como ensina o Concílio Vaticano II, somos peregrinos nesta terra, mas destinados ao Céu.
Ser “peregrino” significa saber que esta terra não é o nosso destino final. As nossas conquistas materiais — nada disso é definitivo. Somos cidadãos do Céu caminhando em terra estrangeira. E o peregrino viaja leve, com os olhos fixos na linha do horizonte, sabendo que a viagem pode ser cansativa, mas o destino vale infinitamente a pena.
A vida cristã nesta terra é uma caminhada de combate espiritual. Enfrentamos as nossas fraquezas, os desertos da aridez e as tempestades da vida diária. No entanto, o grande perigo do peregrino é o desânimo quando a estrada se torna íngreme. E é exatamente aí que a Comunhão dos Santos se manifesta como o grande consolo de Deus para nós.
O Catecismo da Igreja Católica nos recorda que, como membros de um único Corpo, os bens espirituais de cada um beneficiam todos os demais (cf. CIC 947). Existe, portanto, uma profunda comunhão entre os três estados da Igreja:
– Os Santos no Céu rogam por nós: Eles não estão indiferentes às nossas lutas. Como irmãs e irmãos que já chegaram à casa do Pai, a Igreja Triunfante intercede constantemente por nós.
– Nós rezamos pelas almas do Purgatório: A Igreja Padecente não pode mais merecer ou rezar por si mesma. Nós, a Igreja Peregrina, temos o dever sagrado de oferecer Missas, rosários, jejuns e indulgências pelo descanso eterno dos nossos fiéis defuntos.
– Nós rezamos uns pelos outros na terra: A oração de um irmão sustenta a fraqueza do outro.
Como já disse, nossa meta é o Céu. A caminhada cristã tem um destino feliz. Um dia, pela graça de Deus, a Igreja Peregrina se unirá definitivamente à Igreja Triunfante. Então estaremos reunidos com a Virgem Maria, os santos e nossos entes queridos para louvar eternamente a Santíssima Trindade.
Enquanto seguimos peregrinando nesta terra, permaneçamos firmes na esperança, sustentados pela Comunhão dos Santos e com os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da nossa fé.
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